31 visitantes on-line ( Entrar na Sala de Bate-Papo )São Paulo, 20 de novembro de 2017

Hoje somos 143
portadores de RTS
galeria de fotos
Uma imagem vale mais que mil palavras.
Conheça um pouco mais sobre nós !
Depoimentos
Leia os depoimentos que os pais fizeram sobre seus filhos.
Com certeza você vai se identificar com um deles !
Lista de Discussão
Entre para nossa lista de discussão por e-mail e troque idéias e informações com outros pais e profissionais da arts
Dê uma mãozinha
Veja quem já nos deu uma mãozinha.
Faça parte do grupo de amigos da arts
Estatísticas sobre RTS
Acompanhe as estatísticas sobre RTS
Pesquisar no site
Digite as palavras-chave de busca, separadas por vírgula
Clique aquí para busca detalhada
 
 
ARTS
Rua Harmonia 722/81
CEP 05435-000
São Paulo-SP
Brasil
 
(55) (11) 4153-3211
(55) (11) 5631-5062
(55) (11) 3819-2536
 
arts@artsbrasil.org.br
 
Texto escrito por Dr. Rubens Wajnsztejn, Neuropediatra, e Diretor do Corpo Clínico da ARTS
 
Transtornos Emocionais
 

Os distúrbios psiquiátricos de crianças e adolescentes envolvem, em grande parte, a combinação de sintomas e sinais relacionados à área emocional, da conduta, do desenvolvimento e do relacionamento. O impacto destes sintomas no paciente ou no ambiente possibilita o diagnóstico de um transtorno(1,2,3).


A sintomatologia e o impacto dos sintomas no paciente são considerados na classificação dos diagnósticos dos transtornos psiquiátricos em duas formas comumente utilizadas: a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) e o DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais).


Nos critérios do CID-10 e do DSM-IV são relevantes:




  1. Prejuízo social, na vida familiar, na escola e no aprendizado, nas amizades, nos jogos e no esporte;

  2. Sofrimento para a criança ou adolescente;

  3. Ameaça para os outros.


Passaremos a abordar alguns destes distúrbios, que freqüentemente interferem na qualidade de vida dos indivíduos com Síndrome de Rubinstein-Taybi.



Transtornos de Tique



São transtornos que apresentam alguma forma de tique, sendo freqüentemente fenômenos isolados, muito embora estejam associados a fases de perturbação emocional reconhecível.


Principalmente na adolescência, é difícil distinguir o transtorno de uma perturbação emocional, ou uma perturbação emocional com tiques de uma exacerbação dos transtornos de tique.


Os tiques podem ser classificados como vocais ou motores; o motor, quando só há um movimento motor involuntário, rápido, recorrente e não rítmico e vocal, quando apresenta sons de início súbito e sem propósito aparente(1,2,12).


Ambos podem ser classificados em simples ou em complexos, sendo:




  1. Motores simples – piscar olhos, sacudir os ombros e caretas faciais.

  2. Motores complexos – bater em si mesma, saltar e pular.

  3. Vocais simples – pigarros, fungadas, gestos.

  4. Vocais complexos – repetições de determinadas palavras, às vezes, obscenas.


Observando-se a evolução clínica dos tiques, verifica-se que normalmente tiques motores surgem antes do desenvolvimento dos tiques vocais. Na adolescência, há uma piora dos sintomas, podendo persistir até a vida adulta.


A síndrome de Gilles de la Tourette é um transtorno que apresenta uma combinação de tiques vocais e motores múltiplos, com tiques curtos e rápidos e presença de movimentos estereotipados e sons, sendo uma disfunção normalmente autolimitada, podendo persistir até a adolescência e vida adulta.


Sua incidência chega a 5 a 10/10.000, sendo prevalente o sexo feminino (3,9:1) (1,12).


Uma etiologia genética é levantada para o transtorno de Gilles de la Tourette, contudo, não há ainda confirmação. A possibilidade de uma disfunção de gânglios da base como causa também é discutida.


Os transtornos de tiques transitórios incidem em 25% de crianças. Um exemplo deste tipo de tique é aquele que surge como efeito colateral de tratamento medicamentoso para transtorno de hiperatividade(4,5,6,7,8,9).. A incidência do transtorno crônico de tiques é de 1%(1,12).


O aparecimento de movimentos involuntários ou produções vocais em crianças ou adolescentes leva os pais a buscarem ajuda para a sua resolução. Normalmente, a estória de surgimento súbito e rápido, com movimentos e sons de caráter repetitivo, bem como referência de desaparecimento dos mesmos durante o sono, leva ao diagnóstico de transtorno de tique; contudo, é importante que não haja transtorno neurológico associado para que este diagnóstico se confirme(1,2,12).


O primeiro passo para definir o seguimento a ser proposto é diferenciar o transtorno quanto à presença de tique motor, vocal, ou de ambos. A presença de tiques motores múltiplos e um ou mais vocais associados leva, normalmente, à caracterização de síndrome de Gilles de La Tourette, mesmo que os mesmos não tenham ocorrido simultaneamente. A presença de tique motor ou vocal, isoladamente, caracteriza o transtorno transitório ou crônico(1,2,12).


Para a distinguir o transtorno transitório e o crônico deve-se considerar sua duração. Transtornos transitórios normalmente não persistem por mais de 12 meses, enquanto os transtornos crônicos têm duração maior de um ano(1,2,12).


Medicações para supressão dos tiques são utilizadas no tratamento, contudo, há de se notar a importância de acompanhamento psicológico e psicossocial. Um acompanhamento fonoaudiológico também é importante.


O tratamento psicológico sempre tem indicação em tiques transitórios e crônicos, sendo que, tiques transitórios apresentam boa resposta só com a intervenção psicoterápica; transtornos crônicos não apresentam boa resposta somente com esta intervenção.


A interferência no comportamento social da criança, com afastamento do grupo ou recusa escolar, leva a associação de tratamento medicamentoso(1,12).


É necessário tratamento farmacológico. As drogas de preferência são os agentes bloqueadores da Dopamina; atualmente, a Risperidona tem tido preferência pelos menores efeitos colaterais. Outras drogas normalmente utilizadas em quadros os tiques são: Pimozida, Haloperidol e Flufenazina.



Enurese não orgânica



Transtorno que se caracteriza pela eliminação involuntária ou intencional de urina, de dia e ou de noite, não compatível com a idade mental do indivíduo. Normalmente, este transtorno não se deve a uma falha do controle vesical pelos transtornos neurológicos, anormalidades do trato urinário ou ataques epilépticos(1,2,10,11,13,14,15).


A enurese pode se caracterizar por incontinência urinária superior a duas vezes por mês ou 10 episódios em 14 noites.


O diagnóstico da enurese é feito a partir de 4 de idade mental ou 5 anos de idade cronológica, quando se espera que a criança já tenha atingido controle vesical completo.


Há uma prevalência do sexo masculino; até os 5 anos a incidência da enurese noturna é de 5 a 7% para os meninos e 1 a 3% para as meninas, próximo dos 10 anos a incidência é praticamente igual em ambos os sexos(1,2,13,14,15,16, 18,19).


A enurese pode ser primária ou secundária. Considera-se enurese primária aquela que acomete crianças que nunca tiveram controle urinário, mostrando-se como um prolongamento anormal da incontinência infantil. Já a secundária, é aquela surgida após período de controle vesical adquirido, de pelo menos 6 meses.


Muitas são as razões que levam a criança a não apresentar a noite o mesmo desempenho de controle esfincteriano que tem durante o dia. É preciso pesquisar razões emocionais, situacionais (entrada na escola, nascimento de irmão) ou orgânicas (espinha bífida, diabetes, alterações do trato urinário) que podem estar levando a enurese(1,2,13,14,15,16).


O relato de eliminação de urina no atendimento inicial de uma criança maior de cinco anos de idade cronológica ou com mais de quatro anos de idade mental, leva a uma hipótese de enurese.


É preciso pesquisar razões emocionais ou situacionais (entrada na escola, nascimento de irmão) como causas. A partir de então, pediatras e educadores devem iniciar o acompanhamento da criança enurética, buscando tranqüilizar e orientar a família, antes de um encaminhamento à saúde mental ou ao urologista(1,2,13,14,15,16).


A hipótese de causa orgânica (espinha bífida, diabetes, alterações do trato urinário) associada a enurese, deverá sempre ser pesquisada. A solicitação de um exame de Urina I e um Ultra-som, já no atendimento inicial, deve ser feita a fim de identificar a causa e iniciar tratamento específico.


Controles gerais em casa, como restrição hídrica à noite e a orientação para o esvaziamento da bexiga antes de dormir, além de boa orientação quanto à ansiedade familiar, são procedimentos úteis e devem ser colocados em prática desde o início do acompanhamento(1,13,14,15,16).


Havendo melhora dos sintomas e sem a presença de alteração nos exames iniciais, o acompanhamento periódico da criança deverá ser feito, bem como reforço contínuo das orientações. A pesquisa de outras patologias deve continuar caso haja suspeita.


O acompanhamento psicoterápico deverá ser realizado e a associação de tratamento medicamentoso deve ser avaliada caso a criança não melhore.


O uso de medicamentos também deve ser proposto nos casos de enurese acompanhada de transtorno emocional e/ou de comportamento associado, desde que a perda de urina seja importante.


No tratamento medicamentoso as drogas de escolha são a imipramina e a desmopressina (DDAVP) (1,14,15).


Tratamento psicoterápico pode ser realizado em todos os casos de enurese curada que apresentem recidivas porque a associação com problemas emocionais é comum. Muitas vezes, a terapêutica familiar é importante nos casos de recidiva já que frustrações nas crianças e nas famílias podem surgir.



Encoprese não orgânica



É a eliminação repetida, voluntária ou não, de fezes em locais inadequados para este propósito. Normalmente, a consistência é normal ou quase normal.


Como o controle intestinal é alcançado, de modo geral, por volta dos 3 e 4 anos, o diagnóstico do transtorno ocorre acima dos 4 anos(1,2).


Pode ser dividido em encoprese primária, onde a incontinência infantil normal permanece e encoprese secundaria, onde há uma perda de continência após ter havido período de controle intestinal de pelo menos 6 meses. Ela sempre significa uma regressão no processo de desenvolvimento emocional.


Há ainda a chamada encoprese provocativa; neste caso, mesmo havendo controle intestinal normal, há deposição de fezes em locais inadequados, de forma deliberada.


Um tipo comum de encoprese secundária é a induzida por estresse. Neste caso, a criança começa a apresentar encoprese após algum episódio de estresse, como uma internação, por exemplo. Normalmente, este tipo de encoprese é monossintomática.


Existem outros problemas físicos que podem levar a encoprese como alterações metabólicas e endócrinas, alterações do SNC (meningomielocele) e alterações anorretais(1,2,17).


Num atendimento inicial em que o paciente apresente queixa de eliminação fecal, voluntária ou não, deve-se utilizar, inicialmente, realizar educação e programas comportamentais, buscando uma orientação adequada quanto à higiene do paciente que, mostrando bom resultado, necessitará apenas de acompanhamento do caso. Não havendo melhora do quadro após a correta realização de higiene pessoal, deverá ser realizada a diferenciação de três aspectos para este paciente(1,2,17).


Havendo evidências de patologia orgânica como causa da encoprese, deve-se realizar o diagnóstico da doença e iniciar o tratamento. Havendo melhora da encoprese após o tratamento da doença de base, realiza-se acompanhamento psicoterápico; caso contrário, avalia-se a possibilidade da associação da imipramina ao tratamento(1,17,19).


Outro aspecto a ser considerado no paciente com encoprese é a existência ou não um transtorno emocional ou de comportamento associado. Caso exista, deve-se realizar a psicoterapia específica para este transtorno de base. Quando a encoprese é o sintoma predominante, deve-se iniciar o tratamento psicoterápico, avaliando continuamente os resultados e associando o tratamento medicamentoso com imipramina, caso isso se faça necessário.



Transtornos de movimento estereotipado



Caracteriza-se por movimentos repetitivos, estereotipados, voluntários e não funcionais que não estão associados a alterações psiquiátricas ou neurológicas. Podem apresentar-se como movimentos sem auto-agressão, como movimentos de balançar o corpo ou a cabeça, puxar os cabelos e torcê-los; chupar o dedo ou enfiá-lo no nariz não estão incluídos. Movimentos auto-agressivos podem estar presentes, como golpes na cabeça repetitivos, tapas no rosto ou morder as próprias mãos, lábios ou outras partes do corpo(1,2).


É comum a associação de retardo mental com o transtorno.



Pica na infância



Pica ou apetite pervertido é a ingesta de substâncias como terra, plásticos, alimentos crus, insetos, entre outros, caracteriza o transtorno. Na criança, pode ser apenas um fenômeno psicopatológico isolado, entretanto, pode ser também sintoma de um transtorno psiquiátrico maior e grave, como, por exemplo, a esquizofrenia, fato este comum principalmente na adolescência(1,2).


Este fenômeno é comum em crianças com retardo mental. Para um acompanhamento adequado da criança ou adolescente com história de uma perversão alimentar é importante que se diferencie inicialmente se existe ou não um retardo mental ou uma esquizofrenia associada a este sintoma, pois, tendo sido feito um destes diagnósticos, um acompanhamento específico deverá ser realizado.


Caso o transtorno seja sintoma isolado, a orientação adequada ao paciente e a família, será importante. Acompanhamento psicológico deverá ser tentado.



Referências Bibliográficas



1. GRUNSPUN, H. Crianças e Adolescentes com Transtornos Psicológicos e do Desenvolvimento São Paulo, Brasil, Editora Atheneu, 1999.



2. CID-10 – Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. WHO, Geneve. Editora Artes Médicas,1993; p.254-282.



3. DSM-IV. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Editora Artes Médicas,1995.



4. WAJNSZTEJN, R.; WAJNSZTEJN, A.B.C. Dificuldades de atenção e memorização na infância e na adolescência São Paulo, Brasil, SBJ produções, 2000.



5. VILANOVA, L.C.P. Síndrome déficit atenção na infância e adolescência. Pediatria Atual 1995; 8(11/12): 41-46.



6 .GHERPELLI, J.L.D. Distúrbio do déficit da atenção - hiperatividade. Sinopse de Pediatria 2001; 7(2): 27-33.



7. GUARDIOLA, A. Distúrbios da atenção IN MAAKAROUN, M.F.; SOUZA, R.P.; CRUZ, A.R. Tratado de Adolescência – um estudo multidisciplinar Brasil, Editora Cultura Médica, 1991; p. 601-609.



8.Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade. www.ufrgs.br/psiq



9.Transtornos de Déficit de Atenção com Hiperatividade. www.dda.med.br



10. OUTEIRAL, J.O. Distúrbios de conduta na Adolescência IN MAAKAROUN, M.F.; SOUZA, R.P.; CRUZ, A.R. Tratado de Adolescência – um estudo multidisciplinar Brasil, Editora Cultura Médica, 1991; p. 494-501.



11. SILVARES, E.F.M.; SOUZA, C.L. Medo de escola: o médico pode ajudar? Pediatria Moderna 1995; 31(05): 829-833.



12. ADESMAN, A.R.; LIPKIN, P.H.; GOLDSTEIN, I.J. Tiques e discenesias associados com o tratamento estimulante no distúrbio de hiperatividade com déficit atenção. JAMA/Pediatria 1995; 2(03/04): 419-422.



13. BYRD, R.S.; WERTZMAN, M.; AVINGER, P.; LAMPHEAS, N.E. Enurese em crianças Norte Americanas.Epidemiologia e problemas comportamentais associados. Pediatrics 1996; 1(03): 178-186.



14. SILVARES, E.F.M.; SOUZA, C.L. Enurese Noturna: um tratamento. Pediatria Moderna 1996; 32(06): 662-667.



 


15. SOUZA, I.C.M.; PEREIRA, W.J.F.; PEREIRA, M.R., FIGUEIREDO, S.P. Avaliação da Terapia Motivacional na Enurese Noturna em crianças. Rev. Paul. Pediatr. 1999; 17(2): 64-67.



16. OLIVEIRA, C.M. A Psicogênese da enurese infantil. Pediatria Moderna 1988; 23(10): 517-531.



17. CRUZ, E.K.; MARTINS, J.L.; PINUS, J. Papel do cirurgião na encoprese de crianças. Pediatria Moderna 1995; 31(05): 783-791.



18 JUNIOR, M.S. Vitimização e negligência IN COATES, V.; FRANÇOSO, L.A; BEZNOS, G.W. Medicina do adolescente São Paulo, Brasil, Editora Sarvier, 1993; p. 476-483.



19. RAMOS, W. S. Transtornos Emocionais e de Comportamento com Início na infância e Adolescência – Monografia apresentada a Disciplina de Pediatria da F.M.F.U.A.B.C. no 2o ano de Residência Médica; Santo André, 2002.

 
Voltar

página inicialdestaquesorganizações & linksarts responde
bate papolista de e-mailsterapiasartigos & matériasdê uma mãozinha
depoimentosarts na mídiagaleria de fotosestatísticaslivro de visitas
pesquisar no siteexamesfale conosco