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A Sexualidade do Deficiente Mental
 
A Sexualidade é um componente fundamental de todo ser humano, vincula-se à intimidade a afetividade a ternura, a um modo de sentir e exprimir-se, vivendo o amor humano e as relações afetivo-sexuais.

Sua influência está presente sobre todos os aspectos da vida humana desde a concepção até a morte, manisfestando-se em todas as fases da vida (Infância, Adolescência, Fase Adulta, Terceira Idade) sem distinção de raça cor, sexo, deficiência, etc; não se referindo apenas aos aspectos genitais, considerando esta dimensão como uma de suas formas de expressão, porém não a única.

Segundo Dom Giancarlo Provettoni, "Sexualidade é contato, relação corpórea, psíquica e sentimental, é o desejo voltado a pessoas e objetos, é sonho, prazer mas também sofrimento; é pressentimento do futuro, consciência e plenitude do presente, memória do passado. Sentimentos que se alternam, se cruzam de modo imprevisível, exigindo uma progressiva capacidade de compreensão e aceitação, sempre vinculadas a intensas sensações corpóreas".

Em função da sexualidade não ser exclusivamente física os deficientes mentais acabam tendo grandes dificuldades na esfera sexual.

A pessoa portadora de deficiência mental, é um ser bio-psico-sócio-espiritual em constante evolução, que como qualquer ser humano tem necessidade de expressar seus sentimentos de um modo particular e intransferível.

Tem portanto o direito de ter prazer e levar uma vida saudável, dentro de suas possibilidades e limites reais.

A sexualidade da pessoa portadora de deficiência mental, está diretamente ligada a maior compreensão de suas reais necessidades e à diminuição dos preconceitos e indiretamente aos limites impostos pelo grau da deficiência.

A repressão pura e simples das manifestações sexuais do deficiente mental, pode diminuir seu equilíbrio interno, podendo contribuir para o aumento da agressividade e da angústia vital, favorecendo o isolamento e reduzindo suas possibilidades como ser integral.

Os pais e professores da área de saúde e educação, precisam lembrar que a vivência sexual do deficiente mental, quando bem conduzida, implementa o desenvolvimento afetivo, a capacidade de estabelecer contatos interpessoais, fortalecendo a auto-estima o bem-estar, o amor-próprio, e a adequação à comunidade.

Para que os comportamentos e manifestações sexuais não se tornem problemáticos, existe a necessidade de investimentos na educação sexual; de uma perspectiva mais ampla os pais e familiares podem favorecer o desenvolvimento psico-emocional, o relacionamento parental favorece a transmissão de valores para a aquisição de limites.

Na escola a educação sexual, deve apresentar-se com amor e ciência, o aconselhamento sexual do portador de deficiência mental, é um trabalho organizado com diversos objetivos: como por exemplo à prevenção de gravidez indesejada, transmissão de informações sobre sexualidade, o aumento da compreensão sobre o próprio corpo, a orientação sobre os códigos do comportamento sexual, a melhora do relacionamento com sua família e os profissionais, favorecendo o desenvolvimento da identidade.

O educador sexual deve guiar-se por atitudes éticas, não esquecendo de estar atento a suas concepções pessoais em face da sexualidade, verificando com precisão aquilo que o portador de deficiência mental quer saber, interpretando aquilo os acontecimentos afetivos sobre sua perspectiva e não a nossa, lidando com comportamentos inadequados através da colocação de limites claros e objetivos.

A higiene pessoal e os cuidados íntimos devem ser enfatizados, é uma forma de desenvolver a auto-imagem e auto-estima, desenvolvendo a capacidade de adequação social e o sentimento de posse do corpo.
Na adolescência os meninos portadores de deficiência mental precisam ser informados sobre a ejaculação e a polução noturna, orientando sobre os cuidados e limpeza. As meninas necessitam de orientação sobre como lidar com a menstruação e ambos precisam ser informados sobre as mudanças que estão ocorrendo com seus corpos.
Nos casos de impossibilidade funcional devido a problemas motores ou devido à severidade do comprometimento mental os pais devem assumir tais cuidados, ou pedir que a criança os realize com supervisão constante.

Os jogos sexuais são comuns na infância, servem para desenvolver funções psíquicas e para construção da identidade sexual, podendo estar presentes mesmo na idade adulta, estes jogos funcionam para a exploração corporal infantil, sem a intencionalidade do adulto, nos casos de deficiência mental leve o contato corporal pode evoluir para a relação sexual, dependendo do desenvolvimento psicosexual e do contexto sociocultural, sendo importante à adequação da educação sexual ao nível de adaptabilidade social.
Este tipo de contato sexual manipulativo e inadequado frente ao contexto social, acontece muitas vezes de forma explicita, pouco íntima e com freqüência pública, apesar disto, a punição complica a situação e a separação pode ser interpretada como rejeição, é preciso lidar com estas manifestações com paciência, colocando os limites necessários.

A masturbação consiste na manipulação dos órgãos genitais com a finalidade de obter prazer no portador de deficiência mental, muitas vezes é a única forma de aliviar suas tensões sexuais, portanto a repressão desse comportamento, pode gerar desequilíbrio afetivo.
Porém precisamos ensina-los a prática masturbatória, evitando que eles possam se machucar e colocando limites quanto ao local onde pode ser efetuada com privacidade, o limite deve sempre ser colocado de forma coerente e incisiva.
A compulsão masturbatória é sempre sinal de redução de repertório, nestes casos uma maior ênfase nas trocas sociais e afetivas, equilibra este comportamento.

O namoro do portador de deficiência mental nem sempre tem a mesma conotação que em pessoas "normais", devido principalmente à dificuldade de discriminação afetiva, confundem amizade com namoro, e nem sempre o desejo sexual está presente.

O grande problema do namoro nestas condições, é que os familiares terão de assumir os riscos juntos ao relacionamento do casal.
A gravidez deve ser entendida no contexto bio-psico-espiritual, junto com o bebê, nasce um filho, uma mãe e um pai, uma família na sociedade, a maternidade e a paternidade exigem o desenvolvimento de complexas funções cognitivo-emocionais, a maioria dos portadores de deficiência mental, não conseguem atingir estas capacidades, mesmo assim podem desejar ter filhos, sendo porém mais uma fantasia do que uma vontade consciente e responsável.
O direito à maternidade/paternidade esbarra com o nível de independência e a vontade da família para assumir a supervisão das atividades do casal, provavelmente durante toda a vida, desde a concepção até a morte.

O assédio sexual por parte do portador de deficiência mental é normalmente caracterizado por perguntas propostas e atitudes inconvenientes repetidas com insistência.

Deve-se levar em conta que as causas de tal importunação podem ser desde ingenuidade, curiosidade, até manifestações afetivas próprias da idade mental que se encontram.

Nestes casos vale a regra geral, colocar limites explicando de forma clara e paciente as implicações de tais atitudes nas suas relações pessoais e sociais, evitando a confusão que muitas pessoas fazem entre rejeição e colocação de limites.
Precisamos compreender que a sexualidade do deficiente está mais diretamente ligada à maior compreensão de suas reais necessidades e à diminuição dos preconceitos, do que aos limites impostos pela deficiência.

Apesar de nossas ilusões onipotentes, a repressão pura e simples das manifestações sexuais do deficiente não é a solução, podendo contribuir para a diminuição de seu equilíbrio interno, aumentando a agressividade e a angústia vital, favorecendo o isolamento e reduzindo suas possibilidades como ser integral.

Pais e profissionais da área da saúde e educação precisam lembrar que a vivência sexual do deficiente, quando bem conduzida, implementa o desenvolvimento afetivo, a capacidade de estabelecer contatos interpessoais, fortalecendo a auto-estima, o bem-estar-próprio, e a inclusão na comunidade.

A educação sexual deve ser incluída na educação geral, integradas à estimulação sensório-motora, intelectual e das capacidades adaptativas ao meio social, de modo natural. Os recursos didático-lúdicos, como, por exemplo, os jogos, a música, o esporte, de modo adequado à idade e ao nível de compreensão, são elementos integradores e interativos.

É essencial enfatizar a importância do relacionamento afetivo dos pais e familiares, para um adequado desenvolvimento da sexualidade, pois a família nuclear representa o protótipo de todos os relacionamentos que a pessoa terá com os outros no decorrer de toda a vida.
O portador de deficiência necessita de respostas coerentes às suas solicitações afetivo-sexuais, que favoreçam sua auto-confiança, sua auto-estima e seu senso de valor.
A ambigüidade no comportamento dos pais e profissionais frente à sexualidade do deficiente, gera conflitos e atitudes incoerentes de ambas as partes, gerando frustração, dor e muita angústia. A ansiedade e falta de confiança no potencial afetivo-sexual das pessoas portadoras de deficiência, faz com que fiquemos agitados e irracionais quando temos de lidar com o problema.

A verdade permanecerá latente, eles sentem, eles desejam, eles sonham, esles sofrem, como qualquer ser humano.

Precisamos nos libertar de nossos preconceitos milenares frente à sexualidade humana.
Somente após a perda de um pouco de nosso falso saber, poderemos parar e perguntar aos pais e as próprias pessoas deficientes, como eles querem que seja sua vida afetivo-sexual.


* Fabiano Puhlmann Di Girolamo,
Psicoterapeuta e educador sexual, especialista em psicologia hospitalar de reabilitação pela F.M.U.S.P; em reabilitação pela Secretaria de Saúde do Estado; em sexualidade pelo Instituto H.Ellis; em integração social de pessoas deficientes pela Universidade de Salamanca-Espanha; Coordenador do serviço de psicologia da I.B.N.L; Membro do corpo docente dos cursos de pós-graduação da SBRASH e Faculdade de Medicina do ABC.

Texto extraído da Revista Nacional de Reabilitação - Ano V - Nº 24 - Janeiro/Fevereiro 2002
 
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